'Seria melhor se ficássemos fora do navio', diz capitão de embarcação que ficou à deriva e está atracada há quase um mês em Fortaleza
Tripulantes continuam embarcados em navio africano atracado no Porto de Fortaleza Oito africanos seguem embarcados no navio NW Aidara, que está atracado no Por...
Tripulantes continuam embarcados em navio africano atracado no Porto de Fortaleza Oito africanos seguem embarcados no navio NW Aidara, que está atracado no Porto de Fortaleza desde o dia 27 de março, quando foram resgatados pela Marinha do Brasil. Os tripulantes de Gana ficaram mais de 50 dias à deriva no mar, após a embarcação sair do Porto de Dakar, no Senegal, e apresentar problemas hidráulicos. A Marinha do Brasil informou que instaurou um Processo Administrativo ainda no dia 30 de março para investigar o caso. O processo tem um prazo de conclusão de 30 dias, e o navio deve permanecer atracado no Porto de Fortaleza até o fim da apuração, segundo o Órgão. LEIA TAMBÉM: Tripulantes de navio africano que ficou à deriva são levados a UPA, em Fortaleza Comandante de navio africano que ficou à deriva no mar morre em Fortaleza Os homens embarcados continuam se alimentando com cestas básicas fornecidas pelo estado do Ceará. Os oito ganeses não possuem visto para transitar livremente por terra brasileira e, por isso, só podem sair da embarcação caso avisem o destino. O capitão John Asembi explica que depois de 51 dias à deriva pelo Atlântico e de permanecer no mesmo ambiente por mais quase um mês, não há como se recuperar: "Infelizmente, nos envolvemos em um acidente e viemos parar aqui. O resgate foi feito. Agradecemos muito as autoridades brasileiras por tudo o que fizeram por nós, mas seria melhor se ficássemos fora do navio". Ainda segundo John, o balanço permanente traz consequências físicas, como a pressão alta. Há duas semanas, o ex-comandante do navio, que já estava debilitado em alto mar, faleceu. John conta que o colega teve um problema renal causado pela hipertensão e por glicose elevada no sangue. "Chegamos a um acordo com a família do capitão. Vamos enterrar aqui nos próximos dias com a ajuda da Embaixada de Gana. O sepultamento será feito aqui. O corpo não será levado de volta para Gana", diz. Conserto do navio Tripulação de navio africano segue embarcada no porto de Fortaleza. Reprodução/TV Verdes Mares O conserto da embarcação está sendo realizado por uma empresa brasileira, contratada pela companhia africana dona do navio. A Secretaria de Direitos Humanos do Ceará tem fornecido água, alimentação, apoio psicológico e sinal de internet para que os oito tripulantes confinados façam contato com as famílias. O grupo também conseguiu uma autorização da Polícia Federal para que eles possam circular pela cidade, desde que informem os destinos. Agora, os tripulantes esperam que a empresa dona do navio pague um hotel para que eles possam dormir. "Nós tivemos uma interlocução com a embaixada em Brasília, que veio aqui o cônsul, com várias outras pessoas da embaixada, e essa tratativa foi feita com eles, que estão cuidando dessa documentação para que eles desembarquem", explica Socorro França, secretária de Direitos Humanos do Ceará. Entenda como navio veio para Fortaleza Marinha de Natal participa de resgate de navio africano O NW Aidara fazia uma viagem de 500 quilômetros do Senegal para Guiné-Bissau pela costa africana com 11 tripulantes a bordo. Ele ia ser entregue para uma empresa que tinha interesse em comprar a embarcação. No dia 5 de fevereiro, um problema hidráulico danificou o leme que dá direção ao navio. Os 11 tripulantes acabaram ficando à deriva por 51 dias e vieram parar do outro lado do oceano. No dia 27 de março, a embarcação foi trazida por um navio rebocador da marinha até Fortaleza. Dois europeus voltaram para casa de avião, mas o restante ficou embarcado. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: